29/09/2011

Cap.37_Com quantos paus se fazem uma fogueira?

Aconteceu no início dos anos 80. Naquela época achar agulha num palheiro era mais fácil do que ver um negro por estas bandas. Maurinho Mastro, nego bonito, baiano cheirooooso que só ele, com ginga no corpo e sorriso irresistível, dentes branquiiiinhos, pousou por estas terras pra tocar numa dessas bandas em algum  festival destes numa destas cidades e acabou ficando. Vocabulário primitivo alemão, conquistava todos só com a simpatia. As austríacas caíam na cama dele que nem peças de dominó enfileirada, tum, tum, tum, tum.... E isto quando tinha cama. Por que Maurinho rodava a Europa de Combi junto com outros amigos tocando samba, bossa nova e essas coisas que gringo gosta. Òtimo percurssionista. Tinha ritmo no palco e na vida. Derrotava mulher e adversário só na lábia e no sorriso. 
Voltando da Suíça, a galera pára na fronteira pra ir ao banheiro e Maurinho vê jogado no gramado ao lado, vários pedaços de madeira em bom estado. Pô, a Combi vazia, o inverno chegando, as madeiras dando sopa... seria tudo de bom na lareira do apartamento emprestado que não possuia calefação. Maurinho rapidamente começou a colher as madeiras e colocar no carro. O policial louro, alto, forte vem á todo vapor em direção ao nego.
– Ei, ei, você ai, africano!
–Eu não sou africano, eu sou brasileiro!
– Aaah, brasileiro, africano, pra mim é tudo a mesma merda! Que idéia é esta de pegar estas madeiras? Você tá pensando que tá na Àfrica?
Maurinho, muito nervoso mas sem perder o bom tom:
– Eu não sou da África, eu sou do Brasil!
– Aaah, Brasil, África, pra mim é tudo a mesma merda!
Maurinho abre aquele sorriso "Tudibon" pra ajudar na  desculpa esfarrapada:
– Ah, seu Doutor. È que me disseram que aqui na Áustria, tudo o que a gente vê no chão, a gente pode pegar.
– Aqui não é a Àustria. Aqui é a Suíça! – Maurinho rapidamente fechou o porta malas, entrou no carro, ligou o motor e falou firme para o guarda: 
– Aaah, Áustria, Suíça, pra mim é tudo a mesma merda! – E saiu batido cantando pneu deixando pra trás o guarda pasmado.

5 comentários:

Muru disse...

Ótima!!!!!!!! Hehehehe.

Astrid disse...

Adorei!!

Lucas Mata disse...

Ahaahhahhahahaha
bela história tia, aliás, apesar de ser suspeito, sempre adoro todas!
Bela saída esse do nosso conterrâneo!
Beijão APERATADO

Lucas Mata disse...

Ahaahhahhahahaha
bela história tia, aliás, apesar de ser suspeito, sempre adoro todas!
Boa saída essa do nosso conterrâneo!
Beijão APERATADO

Obs: Fui conSertar meu comentário e não consigo apagar o anterior... Hehehe

Livia Mata disse...

P.s: Esta história é real!
Bjs, Li