05/09/2007

Short Cuts 2

Thadeuzinho na estréia
No primeiro dia de aula do Thadeu, resolvemos, no último minuto, ir todos juntos levá-lo para a escola. E que surpresa ao chegarmos na porta. Parecia entrada do Maracanã em final de campeonato. Os pais filmando, fotografando. Avós, avôs. Todos alegres, excitados. Pudera, aqui mané nunca tem filho e quando tem é um só e olhe lá! Então cada coisinha nova é celebrada com toda a polpa e importância do mundo. Os pais e avós acabam vibrando tanto quanto a criança por que é um acontecimento único para eles também!
Cada criança carregando um Schultute que é tradição aqui. Um imenso cone de papelão com vários doces e guloseimas que elas ganham de presente para celebrar o primeiro dia de aula. Nós, como somos schlau (=espertos), no dia anterior, pedimos para Thadeuzinho desenhar na cartolina o que quisesse e grampeamos. O pai encheu de doces, frutas e amendoim e ele foi o único com um cone realmente original. Ficou todo orgulhoso.

Tô começando a acreditar que escola aqui é algo mesmo muito sério. Maridão sempre me avisou mas ontem, ouvindo o diálogo de Thadeuzinho na banheira com o irmão, tive a certeza disto. Com apenas dois dias de aula, o guri tá cheio de novas palavras.
– Thuthu, isto tem que ser feito com "sistema". Olhe só o "método", é assim...– E encheu a cabeça do irmão de shampoo.
– Thuthu, agora vamos fazer um novo "projeto" com o caminho das águas. Ela vai descer por aqui e vc pega ela lá... – Colocou o regador na mão do irmão. Vida escolar pra ser levada á sério...

Rio de des-agostos!
Cofesso que é meio estranho morar num continente assim... pra quem nasceu do lado de baixo do equador... Pois é, Thadeuzinho começou a escola e a família inteira está se re-estruturando: acordar cedo, chegar na hora, encarar as nuvens cinzas e o frio bem cedinho... E como o ano letivo aqui começa em setembro, as férias de verão são em julho e agosto. Pra nós, significa by-by Brasil e o Rio de Janeiro, Fevereiro e Março... Era ótimo poder dar uma quebrada no longo e cansativo inverno e voltar com novas energias pra encarar os meses que faltariam até o verão. Daí é estranho, eu agora, desarrumar nossa bolsa de baden (=banho), olhar para o biquini e saber, ter a terrível certeza e coinciência que só vou usá-lo ao ar livre daqui a nove meses. Que parto! E pra completar a melancolia, comi meu último pedaço de goiabada. Como se diz mesmo lá no Rio: Ninguém merece...

p.s: Nova crônica já está no forno.