28/08/2006

Cap. 12_ Trocando em miudos


Hoje fiz fígado de galinha refogado com bastante tomate, cebola, alho, cenoura e pimentão, acompanhando polenta. Muita gente torce o nariz quando ouve isto: “Miúdos? Ai, que horror! Não como nem morta!” Aqui na Àustria como estas coisas que eu adoro (fígado, coração, moela e afins) geralmente é comida pra gato, eu me dou bem por quê é tudo baratinho e sempre tem pra comprar. Lá em casa éramos 4 crianças e minha mãe sabe fazer a melhor canja do mundo, quem já comeu sabe que eu tenho razão, era uma brigalhada de “quantos ele pegou de moela,” “eu não tenho fígado”, “cadê o coração que tava aqui no meu prato” e era um stress total pra dona Zilda. O Guido, muito esperto, um dia me disse para não comer o coração da galinha que estiver com um buraco no meio por que isto é a prova de que a galinha estava doente, e toda vez que eu cortava o coração, tava lá o furo, até o dia que eu peguei ele comendo escondido o coração que eu deixei de lado. O mundo é assim, dividido em dois times: Os que amam e os que odeiam miúdos, os que amam alho (99% dos brasileiros) e os que odeiam (99% dos austríacos!). Há muito tempo atrás, conhecí um cara e me apaixonei perdidamente por ele, eu chamei ele pra jantar e ele quando viu aquela montanha de alho picada na tábua, quis saber qual era o prato: “Spaguetti ao alio e olio, você gosta?” Silêncio....”Sabe o que é, Lina, eu o-de-i-o alho.” Quando ele acabou a frase, a paixão se evaporou no ar, assim como se nunca tivesse existido. Naquele momento percebí que qualquer tipo de vida em comum seria impossível por que eu a-do-ro alho! Maridão gosta de alho, nem tanto quanto eu, mas gosta. Quando eu peço pra ele comprar alho, ele mostra que me conhece a fundo: “Você quer quantos quilos, querida?”